Maior artilheiro do outrora maior estádio de futebol do mundo, 35 anos depois de encerrar sua carreira o Galinho de Quintino continua a dar show no seu palco preferido. Assim acontece todo fim de ano, quando Zico promove o Jogo das Estrelas. O evento reúne jogadores em atividade ou já inativos. Este ano com a novidade: jogadoras da seleção feminina do Brasil.
Na partida preliminar, artistas entram em campo e mostram suas habilidades(?) com a bola. Parte da renda é destinada a projetos sociais de grande impacto. O parceiro em 2025 foi o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), com os recursos voltados para ações em defesa dos direitos das crianças e adolescentes no Brasil.
Diante de quase 38 mil torcedores, o jogo principal terminou com a vitória do time do Zico sobre o de Romário, por 11 a 6. O resultado pouco importou. Valeu rever antigos ídolos da bola em ação. Verdadeiro desfile de campeões, os craques do presente e do passado fizeram a festa da galera.
Deu de tudo. Desde o sempre polêmico Renato Gaúcho, hoje treinador, até o adorado Maestro Júnior ou o folclórico artilheiro Obina. Com os flamenguistas em maior número no estádio, Renato recebia vaias quando tocava na bola.
Júnior deu lindo passe para o gol mais bonito da noite, marcado por Pedro, atacante do Flamengo da nova geração, de bicicleta. O passado e o presente unidos pelo talento.
Aliás, em matéria de passado, a torcida vibrou com o gol de Petkovic, o primeiro da partida. Na mesma baliza na qual o sérvio fez, de falta, o terceiro gol do Flamengo, em 2001, contra o Vasco, que deu o título de tricampeão carioca para o rubro-negro. O goleiro em ambas as partidas? Helton. Coincidência ou maldade do destino?
O último gol do jogo foi de Tom, de 5 anos, neto mais novo de Zico. Foi o momento lúdico do evento. O menino conduziu a bola e chutou com personalidade para o gol, para o delírio até dos adversários.
Além da grande festa esportiva, o resultado social do evento faz a diferença na vida de quem precisa. São 21 edições de absoluto sucesso. Zico faz a entrega dos recursos em cerimônia pública, com transparência e identificação dos segmentos beneficiados. O gol marcado pelo Galinho no jogo empolgou seus fãs. O gol de placa mesmo começou a ser feito há 21 anos. Valeu, campeão!
Os mais antigos devem se lembrar da famosa história do executivo da gravadora Decca, uma das maiores do mundo à época, responsável por se recusar a contratar os Beatles, ainda em 1962, sob a alegação de que “esse negócio de conjunto com guitarras logo vai acabar”. A Parlophone acreditou nos jovens de Liverpool e o resto sempre será história.
No começo da década de 1950, um certo Manoel apareceu no campo do Flamengo. Queria fazer teste no time profissional. Jogava na ponta direita, morava muito longe e tinha as pernas tortas. Mesmo sem ver o jogador em ação, o selecionador vaticinou: “Com essas pernas tortas você nunca será jogador de futebol profissional”. Anos depois, Mané Garrincha encantava o mundo com suas pernas tortas, tirava o grito de campeão da garganta do torcedor brasileiro na Suécia e matava de raiva a torcida rubro-negra quando enfrentava o Mengão.
A bola da vez é Endrick, 17 anos, descoberto pelo Palmeiras em Brasília, depois de o jovem ter sido descartado pelos concorrentes paulistas por exigir emprego para o pai e moradia para a família em São Paulo. Foi o melhor investimento feito pelo atual campeão brasileiro. O atleta foi vendido ao Real Madri por quase 500 milhões de reais, mas só poderá se apresentar na Espanha quando completar 18 anos, como determina a legislação esportiva.
A arrogância ou falta de visão de avaliadores de talentos, mesmo os mais experientes, como no caso dos Beatles, muitas vezes acabam com o pontapé na sorte. Como se rasgassem o bilhete premiado. Nem precisa ser alguém estelar como os garotos de Liverpool. Se você conseguir identificar habilidades em alguém e encaminhar a pessoa a quem possa desenvolver sua aptidão, já contribuirá com o futuro da sociedade. Acredite, a mudança começa no olhar