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    Terça, 31 Março 2026 15:26

    O Pit Stop é o dono da noite

    HOJE VAI TER PIT STOP / VOU ENCONTRAR COM VOCÊ / NÓS VAMOS NOS DIVERTIR / E CANTAR KARAOKÊ (ALCIDES LIMA)

    As palavras do poeta, acima, são muito simples e contidas para traduzir o espírito de um dos botecos mais antigos e movimentados da cidade. Para o taxista Marcos Ataíde de Bragança - que, apesar do sobrenome, não tem nenhum parentesco com a realeza brasileira -, "o 'Pit' está para a noite boa-vistense assim como o Monumento ao Garimpeiro está para os cartões postais da capital mais setentrional do País. Referência".

    Até bem pouco tempo, a fama do lugar era de estar sempre com as portas abertas para receber quem procurava lugar para fugir de insônia. "Depois da Pandemia, o movimento caiu e tivemos que nos adaptar. Hoje, funcionamos às terças, quartas e quintas até as 4h da manhã; às sextas e sábados, até as 6h; e domingos, novamente, até as 4h", diz o proprietário, Airton Mota - que, apesar do sobrenome, não tem nenhum parentesco com João Capistrano, pioneiro e patriarca da maior família roraimense.

    Airton, natural de São Carlos do Ivair (PR), descobriu Roraima em 1982, depois de questionar sua mãe, Juracy, sobre parentes que ela deixara em sua terra natal ao mudar-se, com o marido, para o Sul do País.

    Depois de conhecer avó, tios e primos, em Roraima, ele ainda circulou por boas partes do Brasil até decidir voltar e estabelecer-se em Boa Vista, onde sua existência foi rascunhada. "Voltei em 1999, quando a Prefeitura implantava o Complexo Airton Senna e preparava alguns quiosques para exploração comercial. Não satisfeito com os resultados de seu empreendimento, o concessionário original concedeu-me os direitos sobre o local onde está o Pit Stop", diz o empreendedor.

    E segue: "No início, a quadra anterior, em frente ao Clube dos Oficiais, com venda de guaraná, sorveteria e choperia - e música ao vivo - concentrava o movimento do Complexo. Nosso diferencial, então, era conservar a lanchonete aberta depois que as outras encerrassem seus trabalhos. Aderimos à moda, então difundida em todo o País, investimos em equipamento de karaokê com rudimentares caixas de som que, rapidamente, começaram a atrair mais e mais clientes". Detalhe: naquela época, o equipamento oferecia 200 músicas; hoje, 10.500.

    E assim, de terça a domingo, a partir das 18h, dezenas de mesas e cadeiras são espalhadas sobre o gramado em volta do boteco. Pessoas que vêm para uma cervejinha depois de um dia de trabalho se misturam a aqueles que vêm com ideia de fazer farra.

    O hábito de reunir colegas para festejar aniversários no karaokê é antigo. Há clientes, entretanto, que vêm só para desopilar o fígado por meio de sua própria cantoria.

    O Pit é democrático ao acolher integrantes de todas as tribos, diferentes credos, orientações sexuais e classes sociais. "Se você quer se divertir, tomar cervejas geladas ou fazer refeição rápida, dirija pela avenida Capitão Ene Garcez e, antes de chegar à rotatória, no estacionamento do seu lado esquerdo, ocupe vaga e prepare o espírito para encontrar o mais alto astral. Ah, prepare as oiças para bons e péssimos cantores.

    Por estar a poucos metros do Aeroporto Internacional Atlas Cantanhede, o Pit serve de sala de espera para quem vai buscar algum passageiro. Não é incomum que viajantes recém-chegados em voos noturnos parem no local para uma cervejinha e forrar o estômago, compensando o jejum que as companhias aéreas promovem atualmente.

    Há, também, quem se uitilize do Pit para tomar a saideira antes de embarcar no avião. Casos de pessoas que perderam voos por causa do "dá pra tomar mais uma" não são raros.

    O Pit Stop também se insere no calendário cultural de Boa Vista. De dois em dois anos, a casa promove show de calouros com prêmios substanciais para os três primeiros lugares. Antes, o concurso era realizado no mês de abril, mas, por causa das chuvas de estação, a partir deste ano, 2026, será em setembro.

    Josué da Silva Cavalcante

    Josué vem ao Pit pelo menos uma vez por mês. Com a namorada, ele escolhe lugar privilegiado e larga o pau na cantoria. E não é que o menino agrada?

    Iolene Koide

    A amazonense Iolene Koide, gerente do boteco por 10 anos, depõe: "Eu comandava o Pit como se fosse meu. Tinha prazer de me
    relacionar com todos os clientes. Trabalhar no Pit era terapia". Iolene é uma das mentoras da instituição do concurso de calouros.

    REBORDOSA - Em 2019, durante as reformas do Complexo, o Pit mudou-se provisoriamente para a avenida Mário Homem de Melo. "Período cinzento, pois as pessoas já estavam acostumadas com a estrutura que oferecíamos. Voltar para o endereço original, já ampliado, exigiu altos investimentos, até chegarmos ao período negro, trazido pela pandemia de covid 19, quando fomos obrigados a fechar as portas e demitir funcionáros desembolsando muito dinheiro para honrar direitos trabalhistas", relata Airton.

    Robert Dagon

    Aposentado pelo Banco do Brasil, 68 anos, frequentador assíduo do Pit Stop, Robert Dagon diz: "Aqui eu encontro minha liberdade".

    Hoje, O Pit conta com 26 funcionários treinados para bem atender e equipamentos eletrônicos de última geração para facilitar a vida dos amantes de karaokê.
    O Pit é, também, em Boa Vista, um dos principais pontos para paquera. Sejam para encontros fortuitos ou coisa séria.

    Dennis Martins

    O jornalista e cantor de toadas Dennis Martins diz ter conhecido e engatado namoro com seu ex-marido no Pit. Depois de 19 anos o casamento chegou ao fim. Assíduo no lugar, ele deixa transparecer esperanças: "Um novo amor? Quem sabe...?"

    Dennis sagrou-se duas vezes campeão de concursos de calouros ainda no início do século.

    Mariinha Mota 

    A frase de Vinícus de Moraes, no Samba da Bênção, "A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida", serve para histórias surgidas na noite pitstopiana.

    Enquanto o Príncipe das Toadas começou um grande amor no boteco, Mariinha Mota conta que desmanchou relacionamento sério quando resolveu dar uma incerta e encontrou o namorado nos braços de outra.

    À reportagem ela disse que "depois de 23 anos desde aquele desacerto, hoje é minha primeira noite no Pit Stop".

    Bem vinda de volta ao boteco mais promissor de Boa Vista, Mariinha!

    Evilânia Oliveira 

    Desfile de gente bonita e descolada também está no cardápio do Pit Stop.

    Na noite dessa reportagem, a esteticista e cunhã-poranga da banda de Dennnis Martins, a paraense Evilânia Oliveira, despertava suspiros masculinos e inveja feminina ao esbanjar charme e elegância circulando entre as mesas.

    João Nelson VIcente

    O Pit também tem fiéis frequentadores esporádicos. Isso mesmo: fiéis frequentadores esporádicos. O arquiteto carioca João Nelson Vicente, que já explorou barzinho na capital boa-vistense nos anos 1980 (leia-se Hifen - O Traço de União) resume o boteco em poucas palavras e profunda inspiração: "O Pit Stop é o Bar da Viúva sabor Lapa".

    REFORMA - Atualmente, em fase de expansão, Airton decidiu criar, dentro do Pit Stop, um espaço para atender pessoas que buscam um cantinho mais discreto, com atendimento VIP. Uma das paredes desse cantinho foi escolhida para estampar um pôster com imagem do poeta, compositor, escritor, membro da Academia Roraimense de Letras, engenheiro agrônomo e advogado Alcides Lima Filho, além da letra de música que ele compôs em homenagem ao boteco.

    Airton Mota, o proprietário, e Alcides Lima Filho, advogado, poeta e compositor,  discutem planos para  Pit Stop 

    NOVIDADE – Quem passa pelo Pit Stop entre as 11h30 e 14h vê grande movimentação. É que, agora, a casa também oferece almoço na modalidade por quilo. No domingo, 22 de março, a reportagem do Roraima Agora esteve no restaurante, provou e aprovou a comida gostosa servida por lá.

    Publicado em Cultura e lazer
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