Há alguns anos, o sistema universitário brasileiro inseriu a exigência do chamado Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). O aluno deve escrevê-lo em formato de monografia e apresentá-lo à Banca Examinadora composta por três professores.

Começou, então, a busca por temas interessantes, com potencial de produzir trabalho caprichado no coroamento de tantos anos de estudos. Nem sempre é fácil conseguir assunto inexplorado ou com viés diferente dos já abordados. Mesmo assim, alguns acham o caminho.

Rodrigo Baraúna estudou Jornalismo na UFRR no começo da década passada. Ele já era guitarrista solo da até hoje atuante Banda Garden - 20 anos de atividade completados em 2018. Acostumado ao sucesso, precisava manter a pegada.

Orientado pelo professor Maurício Zouein, craque em Semiótica, Rodrigo buscou o seu tema na floresta. Abordou a comunicação olfativa – sim, existe. Parecia brincadeira, mas o caso era sério. Jovens índios Yekuana vieram estudar em Boa Vista. Acostumados ao ambiente da maloca, desconheciam desodorante. Nos primeiros dias, os colegas ficaram nauseados. O mau odor estava insuportável. Os novos alunos apenas mantinham os hábitos da aldeia. Com jeito, a turma convenceu-os a usar Leite de Rosas. Eles adoraram a novidade. Com o novo aroma no ar, a comunicação fluiu sem problemas.

Ao voltar para a aldeia, nas férias, os estudantes mantiveram o novo hábito. Aí quem protestou foram os outros índios. Para eles, era inaceitável aquele cheiro estranho trazido da cidade pelos garotos. Criado o impasse...

Bem, o fim da história vocês podem conferir com o Rodrigo Baraúna, no Senac, ou depois de qualquer show da Banda Garden. Quem sou eu para tirar do amigo o prazer em falar de seu trabalho, avaliado pela Banca Examinadora com a nota 10.

Com ou sem Leite de Rosas.

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