Hora da saudade

26 Fevereiro 2018
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O título desta crônica já informa o estado de espírito do autor. Sou da classe de1950. Desde cedo lembro-me de carnavais animados, com sambas e marchinhas feitas especificamente para a maior festa popular brasileira. Compositores famosos davam tratos à bola (sim, falava-se desse jeito à época) em busca da letra e da melodia capazes de fazer o povo esbaldar-se desde os bailes pré-carnavalescos. Sou do tempo em que as escolas de samba nem eram o principal evento do carnaval carioca. O bloco sempre foi a principal manifestação popular da maior festa brasileira.

Depois de virada no cenário lá pelo fim do século passado, vejo a retomada, nunca tardia, do carnaval de rua como principal tendência na grande maioria das cidades brasileiras. Rio e São Paulo até ampliaram o número de blocos, a ponto de o governador do Estado do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, declarar à imprensa a impossibilidade de o efetivo policial ser capaz de controlar a violência na capital.

Exageros à parte, o povo retomou a tradição de brincar nas ruas, inclusive com a família. Nem mesmo a violência no Rio inibiu cariocas e turistas de vestirem suas fantasias e caírem na folia com muita animação. Músicos recuperaram o espaço profissional, marchinhas carnavalescas voltaram a ser compostas, inclusive com a sátira característica do nosso país, o carnaval retomou o seu lugar.

Boa Vista seguiu a tendência nacional. Depois de décadas com as escolas de samba como as donas da avenida Capitão Ene Garcez e o fim dos bailes em clubes, os blocos voltaram a animar o carnaval boa-vistense. Alguns têm mais foliões do que as antigas escolas. Se a grana está curta e o preço do abadá pesa no bolso, a diversão é a mesma, fora da corda de isolamento do bloco. Há lugar para todos.

Voltei a sentir o clima dos velhos carnavais, com nova roupagem.  Com ou sem saudade.

 

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Fernando Quintella

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