Elas merecem a homenagem

14 Maio 2018
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Elas são lembradas em todos os estádios de futebol onde haja torcida. Mesmo se estiverem ausentes. Ganham gritos muitas vezes histéricos de parte da massa, apesar de seus nomes jamais serem mencionados pela voz da galera. Longe de ser homenagem por grandes feitos, trata-se de revolta contra o(a) árbitro(a) da partida. Sim, basta haver suposto erro na arbitragem e a galera logo invoca a mãe de quem está com o apito.

Nem adianta aquela velha desculpa de o árbitro ter três mães: uma no céu, outra em casa e a terceira na boca da torcida em horas polêmicas. Imagine-se no lugar dessas senhoras, cujo único pecado (pecado para a torcida contrariada, claro) foi gerar quem, em determinado momento da vida, teve a ideia de apitar futebol. Deve ser doído ouvir os impropérios destilados pelos inconformados de sempre.

Penso, mais, na situação vivida por árbitros neste domingo, dia consagrado às mães. A bola toca na mão de jogador de defesa dentro da área. Se marcar o pênalti, provocará revolta na torcida do time infrator. Se deixar de marcá-lo, o outro lado ofenderá, aos berros, a homenageada do dia.

Alguém se lembra sobre o tempo limitado da vida esportiva dos árbitros? Eles só trabalham até os 45 anos de idade, quando recebem aposentadoria compulsória. Com o futebol veloz dos dias de hoje, ficaria impossível acompanhar o ritmo do jogo. Melhor parar.

Nem interessa se o filho(a) já se aposentou. Cada lance polêmico será lembrado anos depois com a mesma intensidade do dia em que aconteceu.

Eu sou solidário à vida dura dessas injustiçadas. Afinal, mesmo se o(a) filho(a) for muito ruim de apito, qual seria a culpa de quem o(a) gerou? Por isso mesmo, dedico a crônica da semana a todas elas. Prometo poupá-las se houver erro de arbitragem contra o meu Flamengo. Já quem está no apito...

 

           

           

Fernando Quintella

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