A renúncia do rei

13 Fevereiro 2018
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Antes de você questionar o título desta crônica (rei abdica do trono, jamais renuncia), esclareço: Murilão, o Rei Momo 1992, fazia tudo do seu jeito. Para o polêmico jornalista Murilo Lizardo, azarão no concurso promovido pela Prefeitura naquele ano, seu ato era único, diferente. Ele estava furioso com a confusão havida na tarde daquele sábado de carnaval, na Avenida Ene Garcez. Estava decidido a tomar atitude inédita, com o maior estardalhaço possível. Se a ideia era radicalizar, Murilão dava as cartas e jogava de mão

Tudo começou quando grupo opositor ao governador do novo Estado, Ottomar de Sousa Pinto, foi às ruas com bloco, onde os participantes vestiam camiseta temática provocativa ao brigadeiro, com a estampa de primeira página de suposto jornal, com a manchete: “Tomar ou não tomar: segura que o pinto é frouxo”. Correligionários do brigadeiro decidiram reagir. Um deles arrancou a camiseta de uma jovem foliã. Os ânimos esquentaram, o policiamento interveio e controlou a situação naquele momento. Mas a revolta ficou.

Ao saber do confronto, Murilão idealizou resposta à altura. À noite, quando os músicos animavam a festa para cinco mil foliões na avenida, o Rei Momo subiu no trio elétrico, pegou o microfone e desancou o governo, em geral, e o governador, em particular. O público nem reclamou da interrupção. Pelo contrário, aplaudiu. O discurso exaltava a arbitrariedade do grupo de situação. No fim, ele entregou a coroa, o manto e o cetro à primeira pessoa próxima e renunciou, ainda sob aplausos.

O prefeito Barac Bento, evangélico, ficava longe do carnaval. A pergunta era inédita: em caso de impedimento do Rei Momo, quem o substituía? Como fazer com o prêmio a ele entregue? O povo nem se importou com a falta do rei. Achou a atitude do Murilão divertida e foi em frente. Quanto ao prêmio, passagem aérea de ida e volta do Rio de Janeiro, o renunciante já o trocara por cerveja antes mesmo de o carnaval começar.

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Fernando Quintella

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